M.M. Izidoro http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br M.M. Izidoro é contador de histórias e criador da campanha #EuEstou, para promover a saúde mental e a prevenção do suicídio entre adolescentes no Brasil. Sat, 22 Feb 2020 07:00:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Carnaval serve para esquecer convenção social para nos sentirmos bem http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/22/carnaval-serve-para-esquecer-convencao-social-para-nos-sentirmos-bem/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/22/carnaval-serve-para-esquecer-convencao-social-para-nos-sentirmos-bem/#respond Sat, 22 Feb 2020 07:00:57 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=70 No ano 604, o Papa Grégorio I resolve criar a Quaresma. Para quem não segue as palavras da Bíblia, a Quaresma são os 40 dias de privações antes da Páscoa para limpar corpo e espírito. Os católicos da época, como bons humanos vida loca que eram, resolveram aproveitar os dias antes da Quaresma para se deliciar aos prazeres da carne. Tanto no metafórico, quanto no literal. Assim foi criado o Carnivale, que traduzido do italiano quer dizer, festa da carne.

Para muitos, essa é a origem do nosso Carnaval. Uma festa para meter o pé na jaca antes de obedecer às regras estritas impostas pela sociedade.

E é por isso que eu gosto tanto da ideia do Carnaval.

São nos quatro dias de Carnaval que nós esquecemos praticamente toda convenção social para apenas nos sentirmos bem. Alguns com excesso, outros não. Mas é entre sábado e terça feira que nós deixamos todas as amarras e regras que seguimos o ano todo, para apenas sermos felizes.

Essa ideia sempre existiu entre os humanos. Mesmo a ideia do Carnaval em si tenha vindo de uma tradição católica, os gregos e romanos já faziam festas para os deuses Pan e Baco, onde música, bebida e prazer eram a tônica.

Esse rituais de escape são importantes para qualquer sociedade funcionar, pois não dá para cobrar e pressionar alguma coisa infinitamente sem esperar que essa coisa quebre. Isso é certo tanto nas leis da física, quanto na nossa saúde mental.

Óbvio que durante o ano temos nossas pequenas válvulas de escape. Seja aquele jogo de futebol, aquele show da sua banda favorita e o que mais você quiser fazer para esquecer os boletos.

Desses rituais de expurgo, o que eu mais gosto de verdade é o Dia Fora do Tempo. Esse é o dia que cai ali entre 25 e 26 de julho todo ano e é considerado o ano novo maia. Os maias, foram um povo muito avançado e eles seguiam um calendário lunar de 13 meses com 4 semanas de 7 dias. Isso fazia com que a lua sempre mudasse de fase no mesmo dia e dava para controlar melhor as plantações e no geral estar mais conectado com a natureza.

Se você é bom e rápido de matemática, já percebeu que 7 vezes 4 vezes 13, dá 364. Como a Terra demora 365 dias para dar uma volta completa ao redor do sol – e sempre fico surpreso como esses povos se tocaram nisso – os maias inventaram um dia a mais que não contava na contagem oficial de dias do calendário. Então, nesse “dia fora do tempo” dava para você fazer o que quiser que tava tranquilo. Claro que a ideia era de fazer uma limpeza física e espiritual para o novo ano, mas né… aquela cervejinha de milho não vai se beber sozinha.

Por isso que os clichês do Carnaval ser a festa do povo, uma festa democrática, uma festa onde ninguém é de ninguém, que o ano só começa depois do Carnaval, são reais e importantes para nós.

Você pode odiar Carnaval e ser o único ser sem glitter desse pais inteiro, mas com certeza nesses quatro dias, você vai tirar um tempo para você para relaxar de tudo aquilo que tá te pressionando na sua vida e se preparar para o ano “começar de verdade” depois do meio dia na quarta feira de cinzas (que todo mundo sabe que só vai ser na segunda-feira, né?)

O Carnaval serve para isso. Para esquecermos as ideias sociais de castas financeiras, de cor, de gênero, de sexo. Serve para a gente trocar afeto e prazer. Para a gente dançar e deixar aqueles desejos mais puros e animalescos tomem conta da gente. Serve para a gente esquecer tudo que passamos  nos outros 361 dias Serve para a gente ser feliz. Nem que seja de sábado a terça.

Nesses tempos de extremismos, cada vez mais a gente perde essas ideias e essa importância da festa para o coletivo. O Carnaval e as fantasias que a gente usa nele, são importantes para a gente viver tudo aquilo que fica reprimido e que podemos ali soltar.

Estamos aprendendo a fazer isso com mais respeito, com menos exagero e até com menos violência. Mas não podemos esquecer que essa festa é a liga que conecta o Brasil inteiro e que faz desse pais uma das nações mais felizes do mundo apesar de tudo que acontece aqui.

Agora joga o glitter no corpo, deixa o celular em casa, pega dinheiro vivo pra comprar seu drinks e vai ser feliz. Pois, como Chico e Elis já cantavam: 

“Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar
Deixa o barco correr
Deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
Que você me quer
O que você pedir, eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser”

]]>
0
Os rituais nossos do dia a dia http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/15/os-rituais-nossos-do-dia-a-dia/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/15/os-rituais-nossos-do-dia-a-dia/#respond Sat, 15 Feb 2020 07:00:35 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=66 No começo do seu discurso para a turma de formandos de 2005 da Kenyon College, o escritor David Foster Wallace conta uma parábola que é mais ou menos assim:

Dois jovens peixinhos estão nadando juntos pelo mar como quem não quer nada. Logo depois de virar em um coral, eles encontram um peixe mais velho, que pergunta para eles: “Hey, meninos! O que vocês estão achando da água hoje?”. Os dois sorriem e cumprimentam o velhinho e seguem seu caminho, até que alguns momentos depois, um peixe vira para o outro e pergunta: “Mas o que diabos é água?!”

Essa parábola me marcou muito, pois eu ando tendo conversas muito parecidas com essas nos últimos anos. Conversas sobre como as vezes a gente não consegue prestar atenção ao mundo a nossa volta por literalmente estar afundado dentro dele.

Um exemplo disso é você ir a um restaurante ou a um mercado lotado depois do trabalho. Você está cansada, com fome e olha para aquelas pessoas a sua volta com um olhar impaciente. Você só quer comer, mas tem uma senhorinha que não consegue lembrar da senha do cartão logo na sua frente no caixa do mercado. No restaurante, uma criança não para de chorar no colo da mãe, enquanto o pai olha para o celular sem dar muita bola para a situação. Você se desespera. Você só quer comer e ir para casa.

Mas esse é nosso ponto de vista daquele momento. Se a gente conseguisse ter um pouco de empatia, talvez a gente percebesse que aquela senhorinha está comprando ingredientes para fazer um bolo para o seu marido de 50 anos que acabou de voltar para casa depois de alguns meses no hospital e por isso ela está emocionada e não consegue lembrar a senha do cartão. Ou que aquela família está indo comer no restaurante, pois eles tiveram um acidente doméstico e estão tendo de passar um tempo morando no hotel logo na esquina do restaurante e o pai naquele momento está no celular com o seu corretor de seguros que o está ajudando no processo com a seguradora enquanto a mãe cuida da filha que não se acostumou ainda com a cama nova .  

Isso é água.

Assim como os peixinhos a gente só consegue ter nossas experiências para nos guiar no nosso dia a dia. Então o fato de a gente estar cansado e com fome – ou até no outro espectro, apaixonado e super bem nutrido – nos faz ver o mundo através dessa lente. A lente do eu. Da MINHA fome, do MEU cansaço, dos MEUS desejos. Sem pensar no outro, na SUA condição, nos SEUS desejos, na SUA fome, no SEU cansaço.

Wallace diz no seu discurso que isso é o real significado de ter uma educação e aprender a pensar. Conhecimento se adquire, mas entender que existe o outro e que você não está nesse oceano sozinho…

Isso é água.

Muito disso vem das agruras da vida adulta. Uma ideia que Wallace divide comigo, é que não existe ateísmo na vida adulta moderna.

Todos nós adoramos a um deus. Seja ele religioso – e com o nome que você quiser dar – ou seja ele conceitual como seu trabalho, seu dinheiro ou seu conhecimento. Nós sempre estamos adorando alguma coisa e se aceitamos uma religião, temos de fazer de tudo para ir para sua ideia de paraíso. Seja esse paraíso nos céus ou uma conta bancária com muitos zeros no saldo.

Tudo que a gente faz enquanto adultos, tem um tom ritualístico. Assim como sacerdotes religiosos, usamos a mesma roupa que nossos pares para sermos reconhecidos e aceitos na nossa ordem. Seguimos regras estritas que nos falam aonde ir, o que comer, como ter uma promoção no trabalho, com quem procriar, como pessoas com o nosso tom de pele devem se portar, em que fila do supermercado você tem de ficar se tem menos de 10 itens no carrinho. Tudo é ritual. Tudo é adoração.

Essa adoração, faz com que a gente foque nosso ponto de vista para o que importa para conseguir esse nosso objetivo. E, é assim que nascem os extremismos. É assim que a gente se divide. É assim que a gente se separa. É assim que a gente vira um pro outro e se pergunta: “Mas o que diabos é água?!”

Isso é muito a tônica deste momento que estamos vivendo. Cada um focado no seu. As vezes literalmente focado no seu celular, sozinho e pouco no nosso. Cada um pensando no singular e nunca no plural. O que EU posso ganhar com isso? O que MINHA comunidade pode ganhar? O que MINHA crença pode ganhar?

Mas isso tem solução. Uma solução que eu mesmo demorei muito para entender e pôr em prática. Mas que hoje, não tem como voltar atrás, pois eu aceitei que temos de ter a percepção aberta para fazer tudo que podemos para ter uma vida boa ANTES da morte e não DEPOIS dela.

Esse é um conceito simples, mas difícil de colocar no mundo. 

A gente trabalha muito com a ideia de prazer tardio. É a ideia que depois que você conseguir aquela vaga de trabalho, tudo vai ficar bem. Que depois de você casar, tudo vai ficar bem. Que depois que uma parte inteira da população perder ou ganhar algum direito, você vai ficar bem. Sempre tem um depois e depois e depois…

Mas a verdade da vida é que não tem depois, só tem o agora. Não dá para ficar bem depois que a gente morrer, só dá para ficar bem agora que estamos vivos.

Essa percepção é a real educação que nos falta hoje. É tirar um tempo das nossas vidas corridas e tentar entender que todo mundo tem uma história e está passando por alguma coisa que é diferente da sua. Que você está seguindo regras escritas por outras pessoas que não você. Que até mesmo você pode estar escrevendo regras para outras pessoas. Que você pode sim ter escolhas e talvez a mais importante delas, é ter a escolha de que estamos nadando juntos nesse oceano. Cada um do seu jeito.

Isso é água.

Sim, temos de pensar no futuro e nos planejar para isso. Fazer uma poupança. Ter um trabalho que paga melhor ou que possamos trabalhar melhor. Saber que vamos ter o que comer amanhã. 

Mas sem extremismo. 

Temos de lembrar, que a real liberdade não vem da sua conta bancária ou da sua adoração a nenhum deus. A real liberdade vem da vontade, da atenção, da percepção que para nos ajudarmos, nós temos de ajudar e entender o outro. O outro sendo animal, vegetal ou mineral. Qualquer coisa que não sejamos nós mesmos.

Como Foster Wallace diz ao fim do seu discurso:

“É sobre o valor real de uma educação real, que não tem quase nada a ver com conhecimento, e tudo a ver com simples consciência; consciência do que é tão real e essencial, tão oculto à vista de todos os lados, o tempo todo, que precisamos nos lembrar repetidamente:

Isso é água.

Isso é água.

Isso é água.”

]]>
0
É preciso falar sobre coisas difíceis http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/25/e-preciso-falar-sobre-coisas-dificeis/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/25/e-preciso-falar-sobre-coisas-dificeis/#respond Sat, 25 Jan 2020 07:00:56 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=63 “Chega uma hora em que a gente precisa parar de tirar as pessoas de dentro do rio. A gente tem de navegar nele e descobrir por que elas estão caindo.” – Bispo Desmond Tutu

Ano passado, na África do Sul, eu chorei. Eu estava a trabalho em Joanesburgo e em uma folga eu visitei o museu do Apartheid. Foi uma das melhores e piores coisas que eu fiz em uma viagem. Pois ao mesmo tempo que encontrei um museu lindo, rico e de extrema importância cultural e política, eu acabei com a minha folga que eu estava precisando demais.

Eu já havia ido à África do Sul algumas vezes a trabalho e uma coisa sempre me impressionou na população: a resiliência e a capacidade de conversar sobre assuntos muito difíceis de maneira fácil. Foi nesse museu que eu entendi o porquê disso.

O Apartheid foi um regime oficial do estado sul-africano de segregação racial e dominância da minoria branca sobre a maioria negra. De 1948 a 1990, os brancos tinham a liberdade de fazer atrocidades com a população negra. Algumas delas físicas, outras emocionais e morais. Mas não foi nada bonito. Os negros da oposição também fizeram sua parte de violência. Vale lembrar que Nelson Mandela – sim, aquele velhinho gente fina com as camisas coloridas que a gente vê por aí hoje dançando em GIFs na internet – foi preso por ser líder de um grupo paramilitar armado e ficou na lista de terroristas do governo americano até 2008. Catorze anos depois de ele ser eleito presidente da África do Sul, virando o primeiro negro do país a alcançar a Presidência. 

Uma das coisas que o Mandela fez na sua presidência foi a Comissão da Verdade e Reconciliação. Um grupo, liderado pelo bispo ativista Desmond Tutu, cuja missão era a de investigar todos os abusos de direitos humanos cometidos por membros do governo sul-africano e a oposição durante o Apartheid.

Para mim, a principal coisa que Tutu fez na Comissão da Verdade e Reconciliação foi trazer o conceito de confissão e perdão da igreja para a política. Durante dois anos, ele promoveu audiências públicas televisionadas onde pessoas de todas as cores e classes sociais confessavam em detalhes atos horrendos que eles cometeram contra outras pessoas. 

E aqui é onde eu entendi muito da diferença de como os africanos reagem a coisas difíceis e como a gente reage. A diferença é que não muito tempo atrás eles foram obrigados a falar e a ouvir uns aos outros. Eles foram falaram e ouviram de coisas monstruosas e inimagináveis para a maioria da pessoas. Eles tiveram de olhar nos olhos daqueles que perpetuaram crimes terríveis e daqueles que ficaram para trás. Eles tiveram de dialogar. Eles tiveram que aceitar que aquilo aconteceu. Que doeu. Que dói. Mas que agora eles colocaram para fora e que eles podiam criar a “nação arco-íris” que Mandela, Tutu, Tambo e todos os outros líderes pós Apartheid tanto sonharam.

Essa é uma lição que a gente, como brasileiro, e ouso até a falar como ocidentais, não aprendeu ainda. A gente tem uma dificuldade enorme de dialogar sobre o passado e sobre erros cometidos. Mesmo esses erros não sendo nossos. Bandeirantes massacraram tribos inteiras de índios e só falamos do lado heróico deles. O regime militar torturou e matou milhares de brasileiros. Temos racismo, homofobia e elitismo no nosso DNA. Podemos ser pego roubando, traindo, colando na prova. Mas nunca falamos sobre isso. É um eterno jogo de “não tá comigo!”.

O comediante Trevor Noah usou uma metáfora para falar de um tema parecido que é como se você fosse ao médico e ele descobrisse um câncer e ela virasse para você e falasse, “então, como eu não estava lá quando esse câncer nasceu, a culpa não é minha e não tem nada que eu possa fazer por você.”

Se confessar e depois ter alguém que te perdoe é difícil. Se é difícil para fiéis da igreja, imagina para os não fiéis. Mas é isso que fizeram na África do Sul mesmo que tivesse aberto feridas que estavam começando a cicatrizar. Eles talvez impediram que feridas maiores se abrissem no futuro.

Talvez é isso que falte para a gente aqui, no individual e no coletivo. A gente tem que ouvir e falar com o outro. A gente tem que assumir que errou. A gente tem que assumir que talvez a maneira de fazermos as coisas, só porque é a oficial do governo/empresa/familiar não é a certa. A gente tem que assumir que nossos heróis talvez erraram. E a gente só vai fazer isso se a gente se a gente ouvir um ao outro e se a gente falar. No Brasil, a maioria das pessoas que contestam as coisas são vistas como chatas, esquerdistas, arruaceiros, contraventores.

Como diz a citação no começo desse texto, a gente passou da hora de tentar resgatar as pessoas que caíram no rio. A gente tem que entender o por que elas estão caindo. A gente tem que contestar o porquê de elas estarem lá. Pois elas estão caindo e logo mais vão levar todos nós junto com elas.

O que Tutu e sua comissão fizeram foi isso. Foi colocar pessoas ouvindo pessoas. Pessoas falando de coisas que fizeram no passado, para que as pessoas do presente não as repitam no futuro. Foi simples. Foi importante. Em muitas dessas audiências, Tutu não aguenta e chora. Assim como eu chorei, quando descobri essa história.

]]>
0
Chegamos em 2020… http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/11/chegamos-em-2020/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/11/chegamos-em-2020/#respond Sat, 11 Jan 2020 07:00:10 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=60 Ou melhor, chegamos em 2564 (se você for budista), ou 5780 (no calendário hebraico), ou daqui a pouquinho entramos em 4718 pelo calendário chinês.

Não importa qual a sua religião ou cultura, todas elas marcam o começo e o fim de ciclos.

Ciclos são muito importantes, pois é entendendo que tudo tem um começo e um fim que a gente consegue tanto se planejar para alguma coisa, como na agricultura, quanto aceitar a mudança que vem com o fim de alguma coisa, como em uma formatura da faculdade.

Astronomicamente, um ano é quando a Terra completa uma volta em torno do Sol. Mas nem isso é tão certo assim. Não é a meia noite de 31 de dezembro que a Terra acaba sua volta anual em torno do astro rei. Por isso temos anos bisextos, como é 2020, quando um dia a mais é adicionado para alinhar o calendário de novo com o ritmo natural e inconstante da Terra e a gente sempre ter o mesmo ciclos de estações.

Para nós humanos, pequeninos aqui na crosta terrestre, esse período de fim e começo de ano serve para a gente ficar nostálgico do que passou e ansioso para o que vem. Seja com promessas de melhorar a forma física, de conseguir um novo emprego, até de largar tudo e ir morar no mato. Seja as cobranças dos chefes para alcançar as metas, seja você sendo chefe e tendo de decidir qual é a meta do ano. Não importa, essa é a época que a gente põe um ponto final em alguns ciclos que estávamos vivendo para começar tudo de novo após passar a ressaca da champagne.

Mas assim como diversos povos estão em anos diferentes, ou ciclos diferentes, cada um de nós também estamos em ciclos diferentes. Não é todo mundo que está pronto para apertar o reset no dia 31 e no dia 1º estar novinho em folha. Cada pessoa tem seu ritmo, tem seu passo, seus sonhos. Então para alguns os ciclos são mais longos e eles estão no ano 1423. Para outros, suas órbitas são mais rápidas e eles já estão no ano 5381. Mesmo assim, todos têm algo em comum que é que todos aceitam que estão em 2020, também.

O mais importante dessa história toda é você perceber o ciclo que você está vivendo agora, respeitá-lo e aceitar que esse ciclo vai ter um fim. Da mesma maneira que teve um ciclo que você colocava uniforme e sua mãe te levava para a escola. Também teve aquele outro que você colocava uniforme para bater ponto na firma. Ciclos começam e ciclos acabam.

Um ano novo traz a ideia de renascimento. De recomeço. E essa é a chance que todos nós temos. Não precisa ser exatamente no réveillon. Pode ser depois do carnaval, na festa junina ou no dia das crianças. Sempre temos a chance de começar de novo. Não importa a data. Sempre temos a chance de largar o que não funciona para trás e tentar diferente.

Acabando um ciclo e começando outro.

Afinal, todo novo começo vem do fim de um outro começo.

]]>
0
2019 não foi um ano fácil http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/12/28/2019-nao-foi-um-ano-facil/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/12/28/2019-nao-foi-um-ano-facil/#respond Sat, 28 Dec 2019 07:00:10 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=57 Não importa sua posição política, sua cor de pele, sua orientação sexual, seu peso ou sua altura. 2019 trouxe aprendizados para todo mundo.

E o texto de hoje é sobre isso. Aprendizados.

É assim que devemos ver as adversidades que a vida nos impõe. Por que se tem uma coisa que as dificuldades são boas em fazer, é nos ensinar alguma coisa.

Pensa comigo. Um dia você já caiu muito aprendendo a andar. Já enrolou as palavras aprendendo a falar. Provavelmente deu uns arranhões no carro aprendendo a dirigir. Mas hoje, você está aí correndo sem nem pensar sobre. Falando até mais de uma língua fluentemente. Escolhendo ou não dirigir, por que sai mais em conta pegar um carro de aplicativo.

2019 nos obrigou a olhar para dentro e nos perguntar, “E aí? O que eu faço agora?”. Alguns fizeram isso por só alguns segundos. Outros passaram o ano inteiro com essa pergunta ecoando na cabeça. Essa é uma pergunta que a gente sempre faz em momentos específicos da vida. Quase sempre aqueles momentos grandes como casamentos, filhos, escolha de profissão.

O que foi diferente em 2019 é que a gente foi obrigado a se perguntar isso a todo momento. Estamos passando por um momento de grandes mudanças em todos os níveis da sociedade e isso está mexendo com cada um de nós profundamente. Isso não é de hoje, mas parece que esse foi o ano que todo mundo sentiu isso.

Seja com a democratização da tecnologia e do conhecimento. A crise climática. O empoderamento feminino. O começo do fim do sistema capitalista como a gente viveu no século XX. A mudança está acontecendo para todo o lado e nåo tem para onde a gente correr. Foi isso que esse ano trouxe globalmente, a incerteza da mudança.

Mudar não é fácil. Mudança é deixar para trás tudo aquilo que a gente conhece – seja bom ou seja ruim – para ir atrás de algo novo e incerto. A mudança machuca e é desconfortável por que ela nos obriga a rever nossas crenças. Se precisamos rever nossas crenças, a gente precisa rever o que faz da gente a gente. Autocrítica e assumir que estamos errados são duas das coisas mais difíceis que podemos fazer, e é por isso que mudar é tão difícil.

Mas se esse caminho é difícil, a recompensa do outro lado é de um valor incalculável. Que seja o outro lado de um caminho de cura, de uma viagem, de uma paixão, de um sonho. A gente só vai ter esse prêmio se a gente aceitar o desafio e chegar lá com todos os aprendizados que a gente teve pelo caminho.

2019 foi o ano que mostrou que temos de mudar. Esse foi o ano que mostrou muito das nossas falhas sociais e individuais. Ele mostrou que não temos mais muito tempo para ajudar a cuidar do planeta, da nação, da cidade, do vizinho e de nós mesmo.

Se 2019 foi esse ano, que 2020 seja o ano que a gente comece a pôr em prática todas as soluções e aprendizados que a gente teve esse ano. Não importando o quanto doeu, o quanto de cicatriz nós ganhamos no caminho e nem o que deixamos para trás nesse processo.

Não importa o quão difícil seja, como diriam os poetas:

“Mas iremos achar o tom
Um acorde com lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar”

]]>
0
Eu desisto http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/eu-desisto/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/eu-desisto/#respond Sat, 14 Dec 2019 07:00:09 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=48 Eu desisto.

É 1 de dezembro de 1955. Rosa Parks pega um ônibus na cidade de Montgomery, no estado de Alabama, nos Estados Unidos. Ela se recusa a acatar as ordens do motorista  James F. Blake para que ela se sentasse no fundo do ônibus, pois essa era a parte separada para os negros. Ela não foi a primeira pessoa negra a enfrentar o sistema de segregação. Mas sua prisão virou um símbolo de luta dos direitos civis nos Estados Unidos. Uma luta que vitimou muitos negros que vieram antes dela e outros tantos que vieram depois, mas que também inspirou outros milhares. Rosa Parks, não estava sozinha.

É o carnaval de 2018. Em um bloco de rua em São Paulo, um ataque de pânico toma conta de mim. Em meio a milhares de pessoas, eu me sinto sozinho. Consigo chegar em casa e uma sombra me encobre. Por muito pouco, ela não me sufoca por inteiro. Eu pedi ajuda. Muitos não sabiam o que fazer, outros nem ouviram. Eu continuava sozinho.

É 20 de julho de 1969. Neil Armstrong dá aquele que seria “um pequeno passo para um homem, mas um passo gigante para a humanidade.” Ele está na Lua. Mas ele não está sozinho. Logo atrás dele está Buzz Aldrin, e em órbita, Michael Collins. Isso sem contar as centenas, ou até milhares, de pessoas que de alguma maneira ajudaram Neil a dar seu pequeno passo na Lua. Ele não estava sozinho.

É 12 de setembro de 2018. Aquela sombra que tomou conta de mim no carnaval, virou luz. Estavamos lançando o #EuEstou. O projeto que literalmente salvou a minha vida. Eu precisava entender o que tinha acontecido comigo e nesse processo dividir com as pessoas que estavam passando pela mesma coisa que eu tinha passado. Eu não tinha chegado ali sozinho.

É 29 de maio de 1953. São 11h30 da manhã quando Edmund Hillary chega pela primeira vez no topo do Monte Everest. Ele não estava sozinho. Logo atrás dele estava seu guia sherpa, Tenzing Norgay. Eles faziam parte da expedição Hunt, que contava com mais de 400 pessoas entre exploradores e guias. Ele não estava sozinho.

É 09 de novembro de 2019, o #EuEstou é um sucesso. Nós já alcançamos mais de 25 milhões de pessoas no Brasil com nossos conteúdos e agora eu estou indo apresentar isso em um evento TEDx no Colégio Dante Alighieri. Na preparação do evento, eu estava com medo. O mesmo ataque de pânico que deu origem a essa jornada toda, mostrou que estava ali na minha espreita. Qualquer deslize ele me pegava de novo. Nos dias antes da apresentação, eu pedi ajuda. No dia da apresentação, eu pedi ajuda. Nos dias depois da apresentação, eu pedi ajuda. Ninguém apareceu. Eu estava sozinho de novo.

É 02 de fevereiro de 1991. Um homem chamado João para no acostamento de uma rodovia em São Paulo. Ele acabara de ver um carro ser jogado para fora da estrada. Ele resolve ajudar. O carro está capotado. Minha mãe e minha irmã voam para fora do veículo. Eu fico dentro. Sozinho. Eu quebro as janelas do carro com o meu rosto. Todo o lado direito dele é destruído. Tomo mais de 1500 pontos. Mas isso só aconteceu, por que um homem chamado João parou seu carro na beira da estrada e nos resgatou. Muitos médicos e familiares cuidaram da gente por meses e anos. Alguns ainda cuidam. Eu não estava sozinho.

“Não é que seja impossível ser feliz sozinho. É que sozinho, ninguém é nada.” Vinicius Calderoni escreveu ao fim da música “Juventude em Marcha” do seu álbum “Tranchã”. A letra da música diz:

Bom mesmo é encontrar os pares

Ir contrabandeando ideias torna as tardes

Mais solares

Não é exatamente passeata

Mas é hora muito grata para abrir os paladares

….

Não são tão fundamentais

Questões viscerais

Essas e outras mais

Se eu falo por mim

E você também

É por isso que eu desisto.

Seja sendo o símbolo de resistência, com o pouso do homem na Lua, escalar o Everest, criar uma plataforma de promoção de saúde mental na internet ou salvar uma família que sofreu um acidente de carro, não se faz nada sozinho. Se nós quisermos fazer qualquer coisa, temos de achar nossos pares. Nossos iguais. Temos de juntar forças. Gritar junto. Dançar no mesmo ritmo. Cantar a mesma música. Rir da mesma piada. Chorar da mesma tragédia.

Na mesma música do Vini, o refrão diz:

Então canto para que?

Grito contra quem?

Vou atrás de que?

Eu ando me perguntando muito isso de diversas maneiras.

Não adianta eu ficar me doando para escrever coluna aqui no UOL ou produzir vídeos e podcasts para as redes do #EuEstou, se vocês não me ajudarem. A única maneira que tudo vai melhorar é a gente sonhar o mesmo sonho. É a gente ser gentil com a gente e depois com o outro. A gente ressignificar o que a gente é para poder depois ressignificar e mudar o mundo a nossa volta. É a gente estender a mão para fazer carinho e não o ódio. É a gente ter uma rede de apoio que pode estar lá quando a gente precisar e que conte com a gente quando eles precisarem.

O #EuEstou só existe por que eu encontrei o PC Siqueira, a Karen Scavacini, o Steve ePonto, o Guilherme Pinheiro, o André Soler, a Olivia Lang, o Fábio Yabu, a Adélia Jeveaux, a Bruna Saddy e mais várias pessoas que toparam explorar esse Everest comigo e eu com eles. Como qualquer exploração desse tipo, eu ajudei a mudar algumas pessoas, mas elas com certeza me mudaram por inteiro.

Então agora, não dá mais para pousar em outro corpo celeste se você aí do outro lado não estiver comigo. Se o “eu fiz”, não se transformar em “nós fizemos”. Eu sinto que as pessoas estão com medo da conexão, do amor e do afeto. O que importa é o resultado e a entrega em coisas efêmeras como dinheiro e trabalho. O amor assusta. Por medo de serem machucadas, elas preferem a solidão à possibilidade de uma conexão.

Eu não tenho medo. Em 2020, eu não vou estar mais sozinho. Eu vou ter você do meu lado. Você vai ter outra pessoa, que vai ter outra pessoa, que vai ter outra pessoa e assim por diante. É assim que a gente vai fortalecer a nossa rede. É assim que vamos ficar bem.

É 14 de Dezembro de 2019. Eu estou publicando a minha última coluna do ano no UOL Ecoa. Nela, tem um podcast com o audio da minha palestra no TEDx Dante Alighieri, onde eu conto todas as lições que eu aprendi falando de morte na internet no último ano. Onde – dando um spoiler – a maior lição é que não podemos estar sozinhos. Que mesmo eu me sentindo sozinho em vários momentos, eu não estava. Muitas pessoas me ajudaram a chegar na Lua, outras no topo da maior montanha do mundo, outras me tiraram com as suas próprias mãos de dentro de um carro destruído. 

É por isso que eu desisto.

Desisto de sonhar sozinho que tudo pode ficar bem, afinal até Dom Quixote tinha Sancho Pança e Roncinante lhe fazendo companhia para lutar contra seus gigantes. 

Desisto de sonhar sozinho que amanhã vai ser melhor, por que o hoje é tudo que nós temos.

Desisto de sonhar que tudo vai dar certo, quando parece que ninguém mais aceita afeto e as ideias que reverberam são as de ódio e destruição.

Então, se você aí do outro lado dessa tela não vier sonhar e agir nesse sonho comigo, pra que continuar?

Mas se você quiser vir comigo, eu desisto é de desistir.

]]>
0
Conexão: quando você teve uma conversa olho no olho? http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/30/conexao-quando-voce-teve-uma-conversa-olho-no-olho/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/30/conexao-quando-voce-teve-uma-conversa-olho-no-olho/#respond Sat, 30 Nov 2019 12:13:36 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=40 Em tempos de redes sociais e aplicativos de mensagens parece que a gente nunca está sozinho. Mas qual foi a última vez que você sentou para conversar com um amigo ou alguém da sua família? Qual foi a última vez que você teve uma conversa sem pressa e focada. Sem celular, sem televisão. Uma conversa olho no olho, daquelas que duram horas?

Eu sou muito fã das redes sociais e da internet como um todo. Essas tecnologias podem trazer muito mais benefícios do que problemas para a gente. Mas se tem um problema que eu vejo acontecer é que as conexões digitais estão substituindo as de verdade.

Ao dar um like em uma foto ou texto ou ao ver um story, parece que a gente está vivenciando a vida daquela pessoa que estamos seguindo. Algumas vezes essa pessoa sendo um completo desconhecido. Isso pode ser ótimo para aquele nosso amigo de colégio que a gente nunca mais viu ou aquele primo que foi morar em outra cidade. Mas isso é muito problemático quando é para pessoas próximas. Nossos vizinhos, filhos, amigos de longa data.

Parece que, ao conectar as pessoas digitalmente, as redes estão nos deixando mais sozinhos e solitários. Estamos perdendo a capacidade de ter empatia com o próximo, pois muitas vezes esquecemos que tem alguém do outro lado da tela, que alguém vai ler aquele post ou aquela mensagem que a gente escreveu.

O ser humano é um animal social. Milhares de anos atrás, nossos antepassados saíram das cavernas e só sobreviveram na floresta selvagem porque eles estavam juntos. Antes de haver linguagem, já havia conexão e comunicação. Foi isso que nos tornou a espécie dominante do planeta. A capacidade de entender o outro e criar soluções para problemas que não só iriam nos beneficiar mas iriam beneficiar a nossa comunidade. Foi a criação das histórias fantásticas que nós contávamos em volta da fogueira toda noite. Foi a capacidade de amar o próximo como nós mesmos. Mas isso a gente só faz no olho no olho. Sentindo o cheiro, vendo a expressão, trocando toques.

As três histórias que trazemos hoje no podcast falam disso. São histórias sobre como a conexão trouxe alívio e amor para a vida da Beatriz, Eiko e Pedro. Isso não quer dizer que essas conexões não trouxeram problemas. Mas mesmo com os problemas existindo, resolver isso de forma aberta e sincera com alguém de verdade faz as coisas ficarem muito mais fáceis.

A maior rede social que a gente tem é o fato de todos sermos humanos com ideias, sentimentos, aspirações e sonhos. A diferença é onde a gente se conecta e vivenciar isso através de uma tela é algo muito pequeno para algo tão grande como é o poder de uma conexão real com alguém.

Assim, que tal, em vez de tirar uma foto do seu almoço, você convidar alguém de quem gosta para ir provar com você? Ou que tal, em vez de ter uma discussão sobre esportes ou politica na rede social, você chamar esse seu amigo ou familiar para ter essa conversa ao vivo? Você vai ver que o consenso pode vir muito mais fácil quando não são apenas letras em uma tela de celular, mas uma pessoa que está ali na sua frente.

Tenho certeza que, mesmo que o consenso não chegue, só o fato de você estar ali com outra pessoa na sua frente já vai valer muito a pena. Nem que seja pelos petiscos que vocês irão pedir no bar.

Sempre lembrando que, se você tem uma história boa que aconteceu com você e quer dividir com a gente, é só preencher esse formulário aqui http://bit.ly/EEDB_Form, que ela pode fazer parte de um episódio futuro do nosso podcast!

Nos vemos em quinze dias, fiquem de boas.

]]>
0
Pequenas coisas significam muito http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/pequenas-coisas-significam-muito/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/pequenas-coisas-significam-muito/#respond Sat, 16 Nov 2019 14:09:40 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=31 Quantas vezes você teve um sonho grande, ou realizou uma grande ação, e simplesmente esqueceu depois? Mas quantas vezes aconteceu algo que poderia ser bobo e trivial, como uma risada do seu filho, ou uma noite com amigos e até aquele pôr do sol com o crush na praia, e você se pega pensando nisso várias vezes?

Na sociedade que vivemos, parece que a as métricas de sucesso são baseadas apenas em coisas gigantes. Formaturas, casamentos, promoções. Isso pode nos fazer sentir como se a gente não estivesse fazendo nada, ou até que a gente não vale nada, caso não estivermos sempre cumprindo esse check list imaginário.

Mas o que a gente se esquece é que, como cantava Odair José, “a felicidade não existe. O que existe na vida são momentos felizes”.

A gente tende a focar nessas grandes conquista e simplesmente esquece de olhar pro lado. De lembrar do gosto do sorvete, do calor do sol no rosto, da pressão do abraço da pessoa que você ama. A gente desde cedo é ensinado a ter meia dúzia de alvos que a gente tem de alcançar na nossa vida e ai da gente se a gente não chegar no proverbial lá.

Mas se tem uma coisa que a idade nos traz é a experiência. É nesse acúmulo de experiência que nós vemos que cada risada dada, que cada lágrima derramada e cada beijo trocado vale muito mais que muitos dos sonhos que a gente jurava que eram essenciais para a nossa vida e a gente nem lembra mais direito o que era ou por que a gente queria tanto aquilo.

Isso é ainda maior quando você tem um impedimento de qualquer tipo e ações do dia a dia, como interagir com outras pessoas, sair da cama e até se alimentar se tornam impossíveis.

É por isso que hoje temos as histórias do JV, da Alynne e da Letícia. Três histórias que conversam entre elas sobre como algo pequeno pode se tornar tão gigante quanto o maior dos sonhos que a gente tem.

As coisas pequenas são maioria esmagadora da nossa vida. Imagina que incrível seria se a gente prestasse mais atenção no sabor de cada mastigada que a gente está dando ao invés de comer rápido na frente do computador na hora do trabalho. Se a gente nos permitisse ter a mesma urgência com que tratamos nossos assuntos profissionais para nossos assuntos pessoais. Se nos déssemos tempo de fazer nada com quem a gente ama e não passar muito tempo com quem a gente só tolera.

No final da vida, quando a gente tiver cheio de experiência, vão ser essas coisas que vamos lembrar. Seja porque fizemos muito delas ou porque não fizemos o suficiente. Mas são as pequenas coisas que vão nos levar até lá e fazer da gente o que a gente é. 

Sempre lembrando que, se você tem uma história boa que aconteceu com você e quer dividir com a gente, é só preencher esse formulário aqui: http://bit.ly/EEDB_Form, que leremos sua história em um episódio futuro do podcast e da nossa coluna.

Nos vemos em quinze dias, fiquem de boas.

]]>
0
Lembre-se: ninguém consegue realizar seu sonho sozinho http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/02/lembre-se-ninguem-consegue-realizar-seu-sonho-sozinho/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/02/lembre-se-ninguem-consegue-realizar-seu-sonho-sozinho/#respond Sat, 02 Nov 2019 07:00:00 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=25 Sonhos e expectativas.

Duas coisas que são ao mesmo tempo combustível para nos fazer chegar a novos lugares ou causar uma ansiedade que pode nos congelar onde estamos. Equilibrar esses dois lados da moeda é uma das tarefas mais difíceis que temos como pessoas, mas como diria Belchior: “Viver é melhor que sonhar” e é isso que temos de fazer no fim das contas, viver sem medo ou paralisia.

As três histórias da semana do De Boas falam sobre isso. Como às vezes só viver já é demasiadamente difícil e que só segurar a barra já está bom o suficiente.

Isso é o que nos trás o Guilherme Sérgio, que fez um depoimento curto, mas de extrema importância que pode ajudar muito você que está na mesma situação que ele.

A Renata Silva, conseguiu realizar um sonho de vida e mesmo assim teve tempo de ajudar um amigo que estava em uma situação difícil e que mudou a vida dele.

A Sthefany Ellen venceu as barreiras impostas por um diagnóstico médico e, depois de uma batalha se tratando, conseguiu voltar a viver da maneira que ela queria.

Em tempos que parecem que estão querendo destruir nossos sonhos cada vez mais, histórias como essas são importantes para nos mostrar que às vezes não perdemos um sonho, mas só estamos em um desvio na estrada que está nos levando até ele, e que vamos alcançá-lo de um jeito que a gente não esperava. Ao chegar lá, estaremos muitas vezes mais fortes e preparados para tudo de bom e de ruim que ele pode nos trazer, coisa que não estaríamos se tivéssemos chegado lá direto.

Uma das coisas que dá para perceber dessas três histórias é que ninguém conseguiu realizar seu sonho sozinho. Mesmo que fosse ajuda profissional, eles precisaram de alguém que os ajudasse para poderem chegar longe. Então, se você estiver se sentindo como se nada tivesse dando certo e estiver ficando ansioso com isso, tente ver se você apenas não está sozinho. Se trouxer alguém com outro ponto de vista, ou outros pontos fortes, pode ajudar você a ver as coisas diferentes e chegar a uma solução melhor. Eu sei que as histórias que vocês mandam para a gente fazem isso comigo e isso mudou muito como lido com meus problemas de vida e como ajudo os outros também.

A vida é um esporte coletivo e nós, mesmo com nosso brilho individual, temos de nos lembrar disso sempre.

Sempre lembrando que, se você tem uma história boa que aconteceu com você e quer dividir com a gente, é só preencher esse formulário aqui que leremos sua história em um episódio futuro do podcast e da nossa coluna.

Nos vemos em quinze dias, fiquem de boas.

]]>
0
De Boas: o que parece impossível quase sempre não é http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/10/12/de-boas-o-que-parece-impossivel-quase-sempre-nao-e/ http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/2019/10/12/de-boas-o-que-parece-impossivel-quase-sempre-nao-e/#respond Sat, 12 Oct 2019 10:00:19 +0000 http://mmizidoro.blogosfera.uol.com.br/?p=20 Olá, amigos! Sejam bem vindos a mais um De Boas.

Antes de tudo, como vocês passaram desde o último episódio? Tudo bem?

No episódio de hoje, vamos contar histórias que vão te mostrar como muitas vezes a gente imagina que alguma coisa vai ser gigante e impossível de fazer. Mas aí alguma coisa muda e a gente percebe que estava errado e que essa montanha que era impossível de escalar era só uma lombadinha e que a gente é muito mais forte do que a gente imagina.

Na primeira história iremos ver que o simples ato de falar que você não está legal pode ser muito difícil, mas ter coragem de mudar isso pode significar uma vida nova. Na segunda história, iremos ver que o medo que pode paralisar também serve como força para mudar uma situação que você achava impossível de mudar. Para fechar, vamos contar a história da Rutiele e do seu marido, que resolveram mudar de estilo completamente para ter uma vida mais simples e mais feliz.

Não se esqueça de que, se você quiser dividir suas histórias com a gente, é só preencher esse formulário aqui  que sua história pode aparecer nos próximos episódios do De Boas.

]]>
0